Capítulo 633 – [Bem-vindo de volta]

Liberte aquela bruxa! · Capítulo 633

Depois de se agarrarem um ao outro por um tempo muito longo.

Roland acariciou o rosto de Anna e disse em um tom suave: “Você… ficou mais magra.”

Apesar das lágrimas em seus olhos, eles continuavam puros como água de lago. Roland conseguia ver claramente sua própria sombra refletida naqueles olhos azuis. No entanto, Anna parecia muito mais magra. Através de suas roupas, ele podia sentir suas costas ligeiramente salientes e observar seus ombros proeminentes. Seu rosto já não tinha mais aquela suavidade de antes.

“Sinto muito por ter feito você se preocupar comigo.” Ao sentir o aroma de Anna, Roland sentiu novamente paz em seu coração. Foi apenas um instante, mas parecia que se encontravam depois de séculos separados.

Anna balançou a cabeça e enxugou as lágrimas com o colarinho dele, dizendo: “Estou bem, desde que você tenha acordado.”

“Por quanto tempo fiquei em coma? Três dias ou uma semana?” Roland não tinha certeza dos números ao ver que Anna havia ficado tão magra.

“Mais de um mês.”

“O quê?” Roland ficou surpreso.

"Para ser exato, foram 52 dias." Ao ver sua expressão atônita, Anna não conseguiu conter o riso e disse: "Agora é outono. Você deve ter notado que as cortinas foram trocadas."

“Fiquei inconsciente por quase dois meses?” Roland moveu os braços, incrédulo, e secretamente flexionou os dedos dos pés. Mas não sentiu nenhum desconforto.

“Como foi que eu comi?”

“Você não comeu nada.” Anna se encostou no ombro dele, segurando firmemente suas roupas, como se temesse muito que Roland adormecesse novamente. “Alguém comeu no seu lugar.”

“Eh... é possível?”

“É a capacidade de Crepúsculo da Associação Bloodfang. Ela plantou uma Semente da Simbiose em seu corpo, por isso precisou comer mais do que o normal.”

“A habilidade de uma bruxa pode ser usada assim!” Roland achou incrível, pois esse tipo de simbiose fazia muito mais do que apenas mantê-lo vivo. Como os músculos de suas mãos e pés não encolheram, ele conseguiu conectar dois corpos vivos para compartilharem um único sistema circulatório.

Roland suspirou por um momento e olhou para uma banheira de madeira no chão. “Obrigado por cuidar de mim nestes dias.”

“Sem dúvida, deve haver alguém que limpou seu corpo e trocou suas roupas para mantê-lo limpo durante os quase dois meses de coma. Além disso, esse processo era muito complicado, e apenas Anna, que era paciente e carinhosa, conseguia fazê-lo dia após dia”, pensou Roland.

“Em comparação com tudo o que você fez, eu não fiz nada”, disse Anna suavemente. “Você cumpriu sua promessa para com as bruxas. Você derrotou as forças da igreja. Cada bruxa da União das Bruxas gostaria de expressar sua gratidão a você. Mesmo sem mim, alguém certamente cuidaria de você.”

“Mas eu preferiria que fosse você a cuidar de mim.” Roland olhou para ela e abaixou a cabeça para beijar Anna.

Depois de algum tempo, separaram-se relutantemente. Com as bochechas coradas, Anna disse: “Bem, preciso contar às outras bruxas. Elas esperam por este dia há muito tempo.”

“Podemos continuar?” disse Roland com um sorriso irônico.

Anna inclinou a cabeça de forma inconsciente e disse: "Você acabou de acordar e deveria descansar bem..."

“Mas sinto que estou cheio de energia.”

“Mesmo assim, não podemos continuar.” Anna levantou as mãos para lhe dar alguns socos e depois virou-se para pegar a banheira. Ela caminhou em direção à porta com relutância e disse: “Eu volto já.”

“Já dormi o suficiente, então não se preocupe.” Roland lhe deu um sorriso.

Depois que Anna fechou a porta, Roland franziu a testa.

“Por que dormi por tanto tempo? Isso tem alguma relação com o fenômeno estranho do meu sonho?” pensou Roland.

Roland sentiu uma profunda sensação de inquietação.

Em geral, depois que as pessoas acordam de um sonho, elas esquecem rapidamente seu conteúdo, chegando até a esquecê-lo completamente em menos de um dia. Mas, até agora, Roland ainda se lembrava claramente do que havia acontecido em seu sonho.

“Aquela jovem adolescente era realmente Zero?”

“Mas por que ela me chamou de tio?”

“Além disso, ela não conseguiu esconder o choque em seu rosto.”

Quanto mais Roland tentava se lembrar, mais estranho tudo lhe parecia.

A cidade em seu sonho definitivamente não era o lugar onde ele havia vivido no passado. A escola mostrada na TV era uma prova contundente disso. A universidade deveria ser construída ao lado de uma montanha, fazendo parte de uma área cênica. Edifícios altíssimos não eram permitidos nas proximidades da universidade, mas ele vira um horizonte cinzento formado por arranha-céus no fundo da reportagem exibida.

Havia algo errado também com o apartamento. Aqueles corredores conectados lado a lado eram os apartamentos de estilo tubular mais obsoletos, construídos nas décadas de 1970 e 1980, e mal adaptados tanto às ruas movimentadas a centenas de metros de distância quanto aos arranha-céus ao longe.

Além disso, a porta antirroubo de cor verde-escuro e o ventilador de mesa ultrapassado formavam uma combinação estranha com a TV colorida pendurada no cômodo. Se o dono não tivesse algum hobby especial, ninguém decoraria sua sala de estar daquela maneira.

Tudo parecia real, mas, ao mesmo tempo, havia algo errado em tudo.

Antes de desaparecer, Zero gritou histericamente para Roland que nunca o deixaria ir. Seram suas palavras uma maldição ou uma ameaça contra ele? Ela contava com a criação de um pesadelo assim para confundi-lo? Afinal, seria apenas um pequeno blefe se ela o fizesse sonhar com alguns pesadelos somente.

Enquanto Roland ainda estava perdido em pensamentos, ouviram-se barulhos atrás da porta.

Um grupo de bruxas correu até o quarto e o cercou. Diante delas, Roland se sentiu um pouco envergonhado.

“Ahem... Em resumo, estou bem. Nestes dias...”

Antes que Roland terminasse de falar, Relâmpago pulou na cama e o abraçou pelo pescoço.

“Graças a Deus!”, disse Wendy, colocando as mãos no peito em tom animado. “Finalmente você acordou.”

Líli franziu os lábios e disse: “Que cara problemático. Você nos fez ficar preocupados por tanto tempo.”

Lua Misteriosa murmurou: “Você está preocupada com os outros? Isso é muito raro.”

“Em comparação com as bruxas, os plebeus são muito mais frágeis.” Agatha tirou uma Pedra de Medição, examinou-a diante de Roland e continuou: “Bem, não há nenhuma reação mágica, e parece que você não herdou as habilidades de Zero. Do que consegue se lembrar? E quanto às memórias do Papa?”

Roland ficou um pouco surpreso e perguntou: “Você conhece essa habilidade?”

“Nós mantemos prisioneira uma bruxa original da igreja. Foi dela que ouvimos sobre isso.”

“Sé-sério? Parece que eu não recebi as memórias dela.”

“Espere um momento. E se ele não for o Príncipe Roland de antes? Talvez tenha sido iludido pelas memórias de mais de 200 anos?” Cinzas se levantou e perguntou: “Quem pode provar que ele é Roland e não Zero?”

“Vamos, não crie problemas. Não pode fazer isso?” Andrea revirou os olhos para Cinzas e disse.

“Tenho certeza de que ele é Sua Majestade, Roland.” A voz de Rouxinol veio do outro lado da cama, mas, para surpresa de Roland, ela não estava com seu comportamento habitual.

Então Nana, Pergaminho, Folha... Diante de todas aquelas vozes carinhosas das bruxas, Roland sentiu calor por todo o corpo.

A última foi Tilly.

Ela segurou a mão de Roland e disse com um sorriso no rosto.

"Bem-vindo de volta, meu irmão!"