Capítulo 782 – Diga Adeus
Liberte aquela bruxa! · Capítulo 782
Ao longo do caminho, ela viu os membros de seu clã indo e vindo com sacos nas costas; seus rostos tristes demonstravam uma relutância evidente em deixar suas casas.
Como seu status havia caído para o terceiro nível, eles seriam distribuídos pelas casas muito menores do Castelo de Pedra. A situação seria ainda pior para aqueles que não tinham mais direito de morar no castelo; eles seriam transferidos para o acampamento localizado na rua externa. Embora pertencesse à Cidade da Areia de Ferro, esse local era menos conveniente em comparação com a área central.
Afinal, os grandes clãs controlados pelos Castelos de Pedra possuíam apenas pequenas áreas de terra ao redor dos lagos e oásis.
Lorgar gravou suas expressões em sua mente e as guardou em seu coração.
Quando o guarda posicionado do lado de fora do quarto de seu pai viu Lorgar se aproximando, não pôde deixar de sorrir. “Princesa, você... está curada!”
“Sim, tão bem quanto antes”, brincou Lorgar. “Meu pai está no quarto dele?”
"Lorde Chefe está sempre aí dentro, mas..." O guarda hesitou. "Ele não está sozinho."
Ela tinha uma ideia de quem poderiam ser, então nem se deu ao trabalho de perguntar.
Foi então que ela ouviu os sons de uma discussão vindo de trás da porta fechada.
“Achei que já tínhamos resolvido isso. Seu clã deveria deixar o castelo principal em três dias. Então, por que ainda está aqui?”, perguntou alguém em voz alta. “Vocês estão desrespeitando o juramento dos Três Deuses?”
"Cuidado com sua atitude, Kabucha!", repreendeu uma voz. Se ela não estivesse enganada, aquela voz pertencia ao seu irmão mais velho, Rohan. "Agora que você absorveu o clã do Rio Negro, deve fazê-los sair para que possamos nos mudar. Não podemos compartilhar o mesmo espaço com eles enquanto ainda estão de luto por suas perdas, com panos brancos pendurados nas paredes."
“Você pode mandar seus homens derrubar os panos brancos das paredes. Nosso Lorde Chefe quer resultados, não suas desculpas.”
“Você—!”
“Ha, já que o seu clã se rendeu no duelo sagrado, não deveria se dar ao trabalho de ser arrogante. Seu chefe ainda nem falou, e você ousa nos criticar? Fique de lado e cale a boca.”
Os outros começaram a se juntar a eles: “Exatamente! Aceite o resultado, ou podemos derrotá-los de novo!”
“Cang—”
Em seguida, ouviu-se o som de espadas sendo desembainhadas.
Assim que o guarda do lado de fora do quarto sacou sua arma para se juntar à luta, Lorgar o impediu.
“Deixe isso comigo.”
“Mas...”, murmurou o guarda enquanto tentava argumentar. No entanto, seu próximo discurso foi silenciado pelo olhar peremptório de Lorgar; ele baixou a cabeça e respondeu: “Eu entendo, Minha Princesa.”
Lorgar abriu a porta e entrou, com o rosto sombrio.
Os guerreiros do clã Wildwave ficaram de braços cruzados, desafiadores, ignorando as lâminas afiadas perto de seus pescoços, confiantes de que o clã Wildflame não ousaria usá-las.
Os guerreiros estavam certos. Tanto seu irmão quanto os guardas ousaram apenas ameaçar causar danos, fazendo com que o Wildflame parecesse mais fraco.
Guelz Burnflame estava sentado atrás de uma mesa quadrada, e seus olhos refletiam as chamas inquietas do cômodo. Por um instante, o silêncio tomou conta do local.
“Guarde suas armas.”
A voz de Lorgar quebrou a tensão.
Guelz sorriu: “Finalmente, você acordou.”
“Irmã, você… é… não, quero dizer… isso é incrível!” Rohan gaguejou, incrédulo, enquanto ela se aproximava deles. A princípio, Lorgar não conseguiu decifrar a expressão do irmão; ela não sabia se ele estava chocado ou surpreso.
De repente, Lorgar percebeu que seu pai não havia contado a ninguém sobre a Dama Divina do Norte. Apenas seu pai e aqueles que cuidaram dela sabiam disso; o resto continuava ignorante.
Até mesmo seu irmão ficou surpreso, sem falar nos guerreiros de Wildwave.
“L-Lorgar? Você não ficou... gravemente ferido durante o duelo sagrado?”
“É impossível! Eu vi com meus próprios olhos que as pernas dela estavam esmagadas e cobertas de sangue, enquanto a levavam para fora da plataforma!”
“O que é isso que vejo... orelhas e cauda de lobo?”
“Ela é um monstro!”
Lorgar, imperturbável, caminhou até os guerreiros de Wildwave, que claramente haviam perdido a calma e continuavam discutindo, dizendo: “De qualquer forma, Wildflame foi derrotado durante o duelo no Estágio Ardente, testemunhado pelos Três Deuses! Vocês precisam esperar seis meses antes de fazer outro desafio.”
Essa regra, que proibia os participantes que se rendessem de desafiar o vencedor antes do transcurso de seis meses, era uma medida de proteção contra rendições planejadas com o objetivo de manter o poder, e era amplamente conhecida e aceita em toda a Nação do Deserto.
“Aceitamos o resultado, assim como acreditamos nos Três Deuses.” Lorgar deu essa resposta que aliviou a tensão nos corações dos guerreiros, mas, infelizmente, isso não duraria muito. O que ela disse em seguida tensionou novamente o ambiente: “Então... quem é Kabucha?”
“Sou eu!”, a cabeça dos guerreiros de Wildwave não teve escolha a não ser dar um passo à frente. “Agora que você prometeu respeitar os resultados, saiam imediatamente. Vocês não são mais o clã mais forte. Será que realmente ainda querem se agarrar a este castelo?”
A resposta foi como um soco direto no rosto.
Kabucha era de fato um bom lutador, mas ainda assim não conseguiria derrotar aquela garras de lobo que apareceu instantaneamente diante dele. Ele foi lançado para longe, quebrando a porta, antes de cair do lado de fora em um amontoado desfigurado.
“Vocês—” Os outros guerreiros a encararam com raiva, mas nenhum ousou atacá-la.
“Mesmo que Wildflame tenha caído para o terceiro clã, a dignidade do chefe não pode ser ignorada, especialmente por alguém que está em meio às nossas terras. Como ousam ser tão insolentes?”, acusou Lorgar. “Tomem esse soco como lição e saiam daqui, todos vocês!”
No momento em que Lorgar entrou na sala, a situação se inverteu completamente. A anexação de Blackwater contribuiu para fortalecer em grande parte as forças de Wildwave, de modo que eles não temiam nem pelo duelo sagrado nem por um possível desafio particular; estavam confiantes de que conseguiriam superar Wildflame. No entanto, quando a Princesa Lorgar do clã Wildflame apareceu diante deles, em pessoa, toda a sua confiança desapareceu. Eles tiveram que admitir que, mesmo que Wildflame decidisse não duelar com eles por seis meses, ainda assim não poderiam se dar ao luxo de sofrer derrotas para o gigantesco Lobo do Deserto, que poderia surpreendê-los e atacá-los de tempos em tempos no futuro.
Chegaria o dia da prestação de contas para eles, afinal foram eles que os desafiaram em primeiro lugar.
Para o Povo do Deserto, a vingança era tão sagrada quanto o duelo sagrado.
Os guerreiros de Wildwave carregaram o Kabucha de rosto ensanguentado e foram embora sem dizer uma palavra.
“Pai, agora que minha irmã se recuperou, podemos voltar para este Castelo de Pedra daqui a seis meses?”, perguntou Rohan, animado, com os punhos cerrados. “Ou talvez você possa negociar com o chefe dos Wildwave e nos poupar do incômodo de nos mudarmos — já que eles não teriam chance alguma de vencer o próximo duelo, ele deveria lhe fazer esse favor.”
“Sim, o nosso príncipe está certo”, ecoaram os guardas, animados.
“Deixe-me ir e impedir todos que estão fazendo as malas.”
“Além disso, não se esqueçam de expulsar os membros do clã Wildwave que ainda estão rondando nosso castelo.”
“Não se esqueça de dizer a eles para levarem seus pertences com eles.”
Elas continuaram a conversar alegremente.
Guelz Burnflame tossiu suavemente e olhou para sua filha: “O que você tem em mente?”
Isso fez silêncio na sala. Todos voltaram os olhares para Lorgar e aguardaram sua resposta. Rohan estava entre eles, mordendo levemente os lábios, com o olhar sombrio.
Lorgar mal percebeu. Ela respirou fundo e disse com clareza: “Pai, eu quero partir e estou aqui para me despedir.”