Capítulo 787 – Vamos! Para o Novo Mundo!
Liberte aquela bruxa! · Capítulo 787
Roland ficou em silêncio.
Phyllis estava certa. Para Roland, as sensações eram algo tão natural que ele quase as considerava elementos inerentes ao mundo. Quanto ao seu sonho, devido à sua estranheza e incompletude, ele o via como um mundo fictício criado pela própria imaginação. Para Phyllis, no entanto, aquele mundo era a sua Terra dos Sonhos. Era a luz no fim do túnel. Não importas quais armadilhas e dificuldades a aguardassem, Phyllis faria o possível para alcançá-la.
Se sua intrusão fosse realmente um acidente que não se repetiria e se ela simplesmente fosse embora daquele jeito, provavelmente perderia algo além da imaginação de Roland. Se dores fossem a única coisa que Phyllis experimentaria nesse mundo dos sonhos há muito perdido, isso seria cruel demais para ela.
Roland suspirou. Finalmente, ele segurou a mão de Phyllis e disse: “Entendi. Vamos fazer o teste à noite.”
Dois dias no Mundo dos Sonhos correspondiam aproximadamente ao mesmo período de tempo que uma noite inteira no mundo real. Se ele permanecesse no sonho até a noite, acordaria apenas algumas horas depois. Portanto, isso não deveria causar problema algum. No entanto, essas poucas horas a mais permitiriam que Phyllis explorasse ao fundo esse novo mundo completamente diferente.
“Obrigada, Vossa Majestade...” Phyllis se levantou e mais uma vez colocou a mão sobre o coração, em uma saudação típica normalmente utilizada pelos membros mais experientes da União. “Agora entendo por que a União das Bruxas o apoia plenamente.”
Roland estava prestes a responder quando, de repente, alguém bateu com força na porta do quarto. Ele ouviu a voz de Zero do lado de fora. “Eu preparei um chá. Vocês querem um pouco?”
“Que diabos... o que ela está fazendo?”, pensou Roland. Normalmente, Zero desaparecia por um bom tempo quando ficava irritada. Ela definitivamente não iria ferver água ou preparar chá. “Que truque é esse agora?”
Roland abriu a porta, com a testa ainda franzida, apenas para descobrir que não havia nada nas mãos de Zero. A menina lançou um olhar para Roland e depois espiou o interior do quarto. Ela observou Phyllis com atenção, com os olhos cheios de desconfiança.
"Ei, onde está o chá?"
“Na sala de estar. Vá buscar você mesma.” Zero resmungou para ela. “Aliás, não façam barulhos estranhos. Vocês me atrapalham a fazer minha lição de casa!” Ao ouvir isso, ela saiu furiosa.
"Um... então é por isso." Roland balançou a cabeça, sem palavras. As crianças de hoje pareciam mais sofisticadas do que ele esperava. Se fosse ele, simplesmente perguntaria sobre a saúde delas com alguma preocupação e se queriam ir ao hospital, em vez de ter essas ideias loucas e inapropriadas na cabeça.
Roland deu de ombros após fechar a porta. “Não dê atenção a ela. Uma criança nascida nos anos 2000 deve ser assim. Afinal, é uma era diferente.”
Phyllis parecia bastante confusa. “Os anos 2000? Uma era diferente? Qual é a sua relação com ela...”
“Apenas uma colega de quarto”, explicou Roland para Phyllis, sem entrar em detalhes. Ele simplesmente dispensou suas perguntas. Embora Roland já tivesse dito a ela que sua batalha com o papa era um Campo de Batalha das Almas, ele não lhe contou que aquela menina era, na verdade, a ex-papa, a bruxa original. Zero começara uma nova vida no mundo dos sonhos; seu passado agora fazia parte da história. Roland não achou necessário ligá-la novamente ao outro mundo.
Phyllis mordeu o lábio. “Entendi. Bem... por favor, continue. Você pode usar outros métodos. Desta vez vou tentar ficar em silêncio.”
Roland colocou a mão na testa, sentindo-se um pouco divertido e frustrado ao mesmo tempo.
“Ela está viciada em dor agora? Há tantas coisas divertidas neste mundo. Ela definitivamente não precisa se ater apenas a essa sensação.”
“Ehm.” Roland pigarreou. “Já que você veio ao Mundo dos Sonhos, deixe-me mostrar-lhe os arredores.”
“Posso sair... assim?” perguntou Phyllis, surpresa. “Parece que aqui é muito diferente da Cidade de Neverwinter. Eu não vou causar problemas para você se alguém notar a minha presença?”
Phyllis havia observado claramente a mudança drástica no ambiente, mas, aparentemente, achava que as pessoas neste mundo ainda se comportavam da mesma forma que nas quatro coroas onde as bruxas eram rejeitadas pela massa. Ela acreditava que aqueles que tinham aparência diferente sempre estariam sujeitos a discriminação ou perseguição.
Roland sorriu para ela. “Se você fosse uma bruxa, seria uma celebridade por aqui. Já disse que este é um mundo completamente novo. Ser diferente não lhe traz nenhum prejuízo. Pelo contrário, você terá muitos fãs que a admiram. Claro, tudo isso desde que você não viole as leis.”
“É mesmo?” Phyllis se animou imediatamente. “Aqui também existem tabernas e pousadas, não é?”
Roland curvou os lábios. “Quer experimentar alguns vinhos e comidas daqui? Há mais comida e bebida do que você consegue imaginar.”
“Então o plano original dela era ficar aqui e sofrer dor repetidamente?” Embora a ideia de torturar uma dama tão bonita e bondosa soasse bastante emocionante, Roland achou que isso o levaria a cometer um erro irreparável.
Que fuga por pouco! Ele quase cometeu um erro terrível.
“Aliás, já que agora você está no seu próprio corpo, ainda consegue usar o seu poder mágico?”
"Ah... Quase esqueci disso", exclamou Phyllis em voz baixa. "Deixe-me tentar."
Ela fechou os olhos e prendeu a respiração. No entanto, nada aconteceu por algum tempo.
“Não está funcionando?”
"Sim... consigo sentir o ciclone mágico. Só está um pouco desgastado por eu não tê-lo usado há algum tempo", respondeu Phyllis, um pouco envergonhada. "Só um instante... Ele está surgindo."
Ao ouvir essas palavras, duas garras pretas e magras surgiram de repente em suas costas e se estenderam até seus ombros. À primeira vista, pareciam um par de mãos de diabo ou esqueletos de asas.
Roland acariciou o queixo. “Isso é...”
Phyllis suspirou profundamente. "Chamo isso de Garras de Lâmina. Essas garras são retráteis e podem se estender até onde minha habilidade permitir. Elas são muito mais afiadas do que qualquer ferramenta comum de ferro. Quando lutei contra o Exército de Demônios, essas garras me protegeram dos ataques por trás e também me ajudaram a enfrentar os poderosos Demônios Seniores."
“Então você era uma bruxa guerreira.”
"Isso mesmo. Na era de Taquila, eu era a guarda dos Três Chefes." Phyllis fez uma pausa. "Mas há uma coisa que eu realmente não entendo. De acordo com as pesquisas realizadas pela Sociedade de Exploração de Taqila, o poder mágico vem da Lua Sangrenta. Por que esse mesmo poder também existe no mundo dos sonhos de vocês?"
Roland abriu as mãos. “Embora este mundo tenha sido criado pela minha imaginação, provavelmente também tem algo a ver com a Lua Sangrenta. Ainda estou tentando entender isso. Vou explicar tudo para você quando sairmos daqui. Já que decidimos fazer o teste à noite, é melhor começarmos agora em vez de perder tempo aqui.”
“Sim, Vossa Majestade!”, respondeu Phyllis, animada.
Como era sábado, Roland decidiu levar Zero com eles. Caso contrário, aquela menina poderia guardar rancor dele por muito tempo.
“Além disso, não precisa me chamar de ‘Sua Majestade’ no sonho; basta dizer Roland. Não existe rei nesta era.”
“Bem... nesse caso, por favor, perdoe minha ousadia.”
Roland não tinha certeza se era uma ilusão, pois Phyllis o tratava com ainda mais respeito do que antes, e esse respeito parecia não ser fingido. Ele achou que essa intrusão acidental não seria tão ruim se conseguisse ganhar o apoio de uma bruxa de Taquila dessa maneira.