Capítulo 255
Eu Avanço Sozinho · Capítulo 255
História Paralela 12
6. Decisão
“Aquilo” apareceu de repente, sem nenhum aviso.
Em um determinado dia de abril, a poucos passos da porta de May, um centro de atendimento de emergências americano recebeu uma ligação estranha.
– “Alô. Sou um turista que está viajando pelo deserto no momento.”
Não era incomum ouvir falar de turistas que se perdem. Por ser esse o caso, o operador do centro de atendimento achou que se tratava de mais uma pessoa perdida, procurando uma saída em meio ao vasto deserto.
“O senhor teve algum acidente, senhor?”
– “Não, na verdade não é isso.”
“Nesse caso, aconteceu algo mais com o senhor?”
– “Não, não. Eu não estou ligando porque tive algum problema, mas estou ligando para relatar algo que estou vendo agora mesmo.”
O atendente do centro de atendimento se preparou para conectar a ligação ao serviço de despacho de emergências, respondendo com voz calma para garantir que o interlocutor não entrasse em pânico ao telefone.
“É algo urgente? Devo enviar equipes de emergência até o local do senhor?”
– “Urgente... é mesmo? Sinceramente, eu também não sei como explicar a situação atual para o senhor.”
A voz do chamador indicava que ele estava bastante hesitante quanto a algo, então, por precaução, o agente decidiu primeiro confirmar sua identidade.
Acontece que o chamador era, na verdade, um professor universitário, e, a julgar pelas circunstâncias familiares dele ou pelos registros anteriores de chamadas de emergência, ele não parecia ser o tipo de pessoa que faria ligações engraçadas só por diversão.
"Senhor, você precisa descrever a situação para que possamos enviar o tipo certo de equipe de resposta ao local."
– "…"
"Pode me explicar em detalhes o que está vendo?"
Foi nesse momento que o agente ouviu a pessoa do outro lado respirar fundo pelo alto-falante do telefone.
– “Algo está prestes a se quebrar. Há muitas rachaduras.”
Havia um prédio no deserto prestes a desabar? O agente inclinou a cabeça para os lados antes de perguntar novamente.
“Onde estão exatamente essas rachaduras, senhor?”
– “Bem, isso é a coisa mais estranha…”
A voz da pessoa do outro lado hesitou por muito tempo, como se ainda não conseguisse acreditar no que via, mas, por fim, as palavras saíram do telefone.
– “O céu… o céu está se desfazendo!”
Abril.
Era uma época em que praticamente todos os alunos mal tinham tempo livre, mas, para Jin-Woo, que enfrentava exames de meio de semestre e uma competição de atletismo bem próximo, a situação era muito mais agitada do que o normal.
Enquanto estudava até tarde da noite, sua irmã mais nova, Jin-Ah, entrou em seu quarto carregando uma bandeja com fatias de melão Korean.
“Oppa, a mamãe disse que você deve comer isso enquanto estuda.”
Jin-Woo, concentrado nos livros sob a luz da lâmpada de mesa, levantou a cabeça para cumprimentá-la.
“E o papai?”
“O papai está de plantão noturno novamente, a partir desta semana.”
Jin-Woo recebeu o prato com as fatias de melão arrumadas com cuidado em cima e assentiu com a cabeça. Mas, em seguida, estendeu a mão para agarrar a trança da irmã bem no momento em que ela estava prestes a sair sorrateiramente do quarto dele.
“Pare aí mesmo.”
“Heok!”
Jin-Ah virou-se para encará-lo com os olhos arregalados, e ele perguntou-lhe severamente.
“Por que todas essas fatias estão sem as partes mais macias no meio?”
“Eu, hã, eu não sei...”
“Você deveria dizer isso enquanto tira aquelas sementes grudadas perto dos seus lábios.”
“Ahnnn…”
Jin-Ah fez uma expressão insatisfeita por ter sido pega, mas ele achou que ela era muito fofa assim e não conseguiu conter seu próprio riso.
Ele usou o polegar para remover os pedaços de melão das pontas dos lábios da irmã e, por mera travessura, assumiu novamente uma expressão séria.
"Se você comer só a parte mais macia da melancia de novo, vou fazer você comer só a parte dura o dia todo como punição, tá bom?"
"Hiii-eeeng..... Tá bom."
Jin-Ah se virou para ir embora com um olhar lacrimoso, e ele acariciou levemente sua cabeça.
Naquele momento, ela estava no sexto ano do ensino fundamental. Jin-Woo já a vira crescer uma vez antes, e praticamente tudo o que ela fazia lhe parecia adorável.
Crunch.
Ele começou a mastigar o pedaço de melão fatiado e voltou a concentrar sua atenção no questionário em cima da mesa. No entanto, nesse instante, Igrit voltou a oferecer seus conselhos, pois ainda se preocupava com o sucesso acadêmico de seu senhor.
[Meu senhor, a pergunta 24 não deve ser abordada dessa maneira, mas…]
“Então, vou verificar a folha de respostas?”
[Permita-me refletir sobre essa pergunta por mais algum tempo, meu senhor.]
“‘…….’”
Era bastante louvável ele se preocupar tanto com seu mestre, mas isso....
“‘Ah, bem. Pelo menos não fico entediado enquanto estudo, então isso já é algo....’”
Crunch.
Conforme o número de perguntas restantes no questionário diminuía, o mesmo acontecia com as fatias de melão no prato.
Tic, tac.....
E assim, quanto tempo já havia se passado?
De repente, Jin-Woo sentiu esse arrepio e levantou a cabeça.
“‘O que foi isso? Onde?’”
Ele se levantou rapidamente da cadeira e virou a cabeça na direção de onde havia detectado aquele fenômeno estranho. Ele fechou os olhos e concentrou sua percepção.
….Naquele momento, ele com certeza não tinha cometido nenhum erro. Imediatamente, imaginou o pior cenário possível, e sua expressão endureceu por causa disso.
“‘Onde está aquele cartão de visita….?’”
Ele vasculhou rapidamente os bolsos de seu uniforme escolar e tirou um determinado cartão de visita. Não era outro senão o deixado pelo emissário dos Governantes.
Jin-Woo discou rapidamente o número e tocou no ícone de ‘Chamar’ em seu smartphone. A ligação foi conectada muito depressa.
– “Faz algum tempo, Soberano das Sombras-nim.”
O emissário tentou cumprimentá-lo com uma voz calorosa e acolhedora, mas Jin-Woo simplesmente mencionou certas coordenadas sem demonstrar nenhuma emoção. Depois, ele acrescentou mais uma coisa no final.
“Foi obra do seu povo?”
Chocado com sua atitude séria, o emissário respondeu rapidamente.
– “Não entendo o que…. Espere um pouco. Deixe-me verificar.”
“…”
O breve silêncio foi logo quebrado pela voz assustada do outro lado da linha.
– “Isso, isso definitivamente não somos nós. Também estamos ficando sabendo sobre esse assunto por meio da sua ligação, Soberano-nim. Tenho certeza de que você já sabe, mas esse método de atravessar dimensões é diferente do nosso.”
Como esperado – não era a pior possibilidade possível, o que o deixou aliviado. Ainda assim, isso não significava que a situação em si tivesse melhorado, de forma alguma.
“‘Para a Terra…. Alguém, ou algo, está vindo.’”
Se tinham intenções boas ou más, por enquanto não havia como saber. Portanto, ele deveria começar a se preparar para ambos os cenários imediatamente.
Jin-Woo ficou profundamente pensativo, ainda segurando o telefone, antes de falar com o emissário.
“Você pode vir me ver?”
Ele acrescentou que havia mais algo sobre o qual gostaria de conversar, o que fez com que o emissário respondesse como se estivesse esperando exatamente por isso o tempo todo.
– “Eu virei falar com você amanhã.”
O local do encontro era o café onde Jin-Woo encontrou Yu Jin-Ho pela primeira vez, fora da masmorra. Ele chegou bem a tempo e viu que o emissário já o aguardava na esquina do café, tendo chegado algum tempo antes.
Ao entrar, Jin-Woo sentou-se em silêncio do lado oposto ao representante da Governante. Esta só percebeu a presença dele quando ele apareceu bem diante de seus olhos. O emissário fez uma reverência educada com a cabeça.
Dada a situação, Jin-Woo foi direto ao assunto principal da discussão.
“Aqueles seres que tentam chegar aqui... Você tem alguma pista sobre quem são?”
“São os ‘Exteriores’ que tentaram invadir o meu mundo há pouco tempo. Eles foram repelidos pelo Exército dos Céus e, ao que parece, agora voltaram seus olhares para este mundo em vez disso.”
“Por que eles estão tentando vir aqui?”
“Eles são uma raça de gigantes que consomem as rochas encontradas em planetas capazes de sustentar formas de vida. Eles são conhecidos como uma raça de ‘Titãs’ e já eram famosos por sua natureza maligna em seu próprio mundo. O motivo deles virem à Terra deve ser bastante óbvio a esta altura.”
Jin-Woo se encostou na parte traseira da cadeira e assentiu com a cabeça.
“….Então, eles não são amigos.”
“Sim, com certeza não são.”
Agora que sabia qual era o objetivo deles, sua resposta também já estava definida. No entanto, ainda havia algo que lhe causava curiosidade.
“Isso não aconteceu antes de o Cálice da Ressurreição ser usado, então por que está acontecendo agora?”
Jin-Woo só conseguia se lembrar dos Portões e dos monstros, mas nada sobre um ataque de uma raça alienígena capaz de ‘devorar’ um planeta. O emissário hesitou um pouco antes de admitir isso voluntariamente.
“Sim, você está realmente certo. Na verdade, quando falei sobre eles invadirem o nosso mundo há pouco tempo, estava me referindo à linha do tempo que foi sobrescrita.”
“Quer dizer que as criaturas que deveriam ter como alvo o seu mundo mudaram seu rumo em direção à Terra, não é?”
“Sim.”
Foi assim que o emissário respondeu, observando atentamente qualquer mudança no humor de Jin-Woo. Claro, ele imediatamente entendeu o motivo dessa alteração.
“Eu sou a causa.”
“Aquelas criaturas perseguiram os rastros da Soberano-nim, que possui um poder incrível…. Pelo menos, é isso que os elevados Governantes acreditam ter acontecido nesse evento.”
Assim como se confia na luz do farol para iluminar o caminho solitário e navegar pelas águas perigosas durante a noite, quando não se consegue enxergar nem um centímetro à frente, a raça dos ‘Titãs’ foi guiada até este pequeno planeta pelo enorme poder emitido pelo Soberano das Sombras.
A possível influência dos poderes de Jin-Woo sobre este mundo – aquele que não deveria existir nem permanecer –, a parte que preocupava os Governantes, finalmente se tornou realidade.
Ainda assim, os Governantes sentiam que deviam muito a Jin-Woo e, por isso, não pretendiam ficar parados assistindo a outra crise se desenrolar na Terra. O agente fez questão de reforçar esse ponto.
“Os exaltados Governantes já enviaram o Exército dos Céus.”
Jin-Woo balançou a cabeça lentamente.
“Não, já será tarde demais.”
Mesmo que comecem a construir um túnel conectando aquele lado até aqui agora mesmo, no mínimo ainda precisariam de vários anos para chegar aqui. Até lá, tudo já terá acabado.
Nesse caso...
"Eu cuidarei disso."
“'....Meus soldados e eu vamos parar aqueles desgraçados.'”
Jin-Woo tinha total confiança de que conseguiria derrotar esses novos inimigos, desde que eles ficassem no mesmo nível daqueles que foram repelidos pelo Exército dos Céus.
A voz do Soberano das Sombras parecia pressionar com força os ombros do emissário, que engoliu em seco, nervoso. Quaisquer que fossem as forças envolvidas, nenhuma delas gostaria de ter esse homem como inimigo. De repente, o agente da Governante sentiu pena dessa raça de “Titãs”.
Aliás, se este encontro não era para pedir reforços, então por que eles estariam aqui, afinal?
Jin-Woo respondeu como se tivesse lido os pensamentos do agente.
“O que você me perguntou naquela época... Achei que já era hora de lhe dar minha resposta.”
“Ah, entendi. Você estava falando sobre esse assunto.”
Os Governantes fizeram uma oferta para disponibilizar um local onde o poder enorme do Soberano das Sombras não causasse problemas. Parecia que ele havia conseguido tomar uma decisão graças a essa crise. O emissário assentiu com a cabeça ao ver a expressão determinada de Jin-Woo.
“Eu entendo o que você está tentando dizer. Assim que essa crise for resolvida, nós...”
“Eu vou ficar na Terra.”
“...Como?”
As sobrancelhas do emissário se arquearam ao ouvir aquela resposta inesperada. No entanto, a voz de Jin-Woo permaneceu calma, com apenas um leve sorriso nos lábios.
“Sabe, eu ainda quero viver aqui.”
Ele queria passar seu tempo neste mundo repleto de sua família, amigos e de outras pessoas que gostaria de conhecer e conversar. Depois de encontrar o Presidente da Associação Woo Jin-Cheol, ou melhor, o detetive Woo agora, ele finalmente percebeu o que queria fazer.
“Bem, é um pouco incômodo ele continuar me ligando só para comprar comida para mim, mas ainda assim…”
De qualquer forma, Woo Jin-Cheol era um bom homem. E era exatamente por isso que aquele jovem detetive, arrastado por ele, conseguia manter uma expressão tão feliz.
“Eu gostaria de ficar com essas pessoas.”
Jin-Woo pensou que gostaria de estar ao lado deles e poder rir junto com eles. O emissário viu o sorriso de Jin-Woo e retribuiu com um sorriso tímido.
“Na verdade, eu... eu estava ficando realmente entediado de ficar neste mundo, sabe? Que alívio! Agora posso finalmente voltar para o meu mundo também.”
Um ano se passou desde aquele dia. Se alguém disser que foi pouco tempo, tem razão; mas se disser que foi muito, também pode ser verdade.
A missão do emissário de permanecer neste mundo aguardando a decisão do Soberano das Sombras finalmente chegou ao fim. E, pela expressão em seu rosto, ficava bem claro que as chances de ele mudar de ideia eram absolutamente nulas.
“Bem, então…”
Com um ar de alívio, como se tivesse tirado um fardo dos ombros, o emissário se levantou de sua cadeira. Em seguida, curvou-se diante de Jin-Woo, não, o maior herói que pôs fim à guerra entre os dois mundos.
“Confio este mundo às suas mãos capazes.”
Jin-Woo parou de vasculhar seu armário e coçou a cabeça.
“Isso não é bom…”
Ele não conseguia encontrar nenhuma peça de roupa que pudesse esconder seu rosto. Mas, afinal, ele havia comprado um moletom com capuz e uma boné de beisebol para esconder o rosto repleto de cicatrizes adquiridas enquanto trabalhava como um Caçador de baixo escalão; portanto, era óbvio que eles não continuariam existindo na nova linha do tempo.
Sem ter outra escolha, Jin-Woo decidiu criar a própria roupa que desejava.
A fumaça preta o envolveu rapidamente, tornando-se densa como se fosse líquido de verdade, antes de se transformar em um moletom com capuz que ele costumava usar muito no passado. Ele puxou o capuz para cima e ficou diante do espelho em seu quarto.
“Há quanto tempo estou assim…?”
Ele reviveu as memórias daquele tempo apagado, pois o reflexo era como se estivesse vendo seu eu do passado. Seus lábios, visíveis por baixo do capuz, se curvaram em um sorriso.
“Legal.”
Com isso, sua preparação terminou. E sua figura foi lentamente submergindo na sombra sob seus pés.
Em algum lugar no deserto, a oeste de Estados Unidos da America.
O governo americano isolou completamente a área ao redor e chamou todos os especialistas de que pôde dispor para este local, mas, no final, nenhum deles conseguiu formular uma hipótese plausível.
“Eu me pergunto... Bem, isso poderia ser...”
“Pesquisei muitos fenômenos meteorológicos estranhos em todo o mundo por mais de 30 anos, mas é a primeira vez que vejo algo assim.”
Desde o início, como algum especialista, independentemente dos dados coletados, poderia explicar o fenômeno das rachaduras que surgem na atmosfera?
Rachadura, fenda...
Enquanto hesitavam, o céu vazio se desfazia lentamente, mas de forma inevitável, pedaço por pedaço. É compreensível que as forças de defesa americanas posicionadas na região, para evitar qualquer eventualidade, estivessem extremamente tensas naquele momento. Se exagerarmos um pouco a escala, pode-se dizer que mais do que forças suficientes foram reunidas ali para, literalmente, destruir uma nação estrangeira.
O comandante falou com confiança ao Presidente dos EUA.
“Mesmo que algo surja de lá, senhor Presidente, nós cuidaremos deles. Sim, senhor. A extensão da rachadura aumentou muito desde sua descoberta inicial...”
Enquanto conversava pelo dispositivo de comunicação, o comandante desviou o olhar para as fileiras de soldados sem pensar muito e percebeu um homem se aproximando de sua posição.
Um homem cujo rosto estava coberto pelo capuz levantado caminhava diretamente em direção à localização do comandante.
“Quem diabos é aquele cara? Como diabos ele conseguiu entrar aqui?”
– “Há algum problema, comandante?”
“Não, senhor. Deixe-me ligar de volta para o senhor daqui a pouco, senhor.”
O comandante encerrou a chamada às pressas e, junto com seus ajudantes, correu rapidamente em direção a esse homem desconhecido.
“Com licença! Quem é o senhor?”
Aqui era uma zona restrita, protegida por um cordão de soldados bem firme, então como é que um civil de aparência comum conseguia entrar ali sem nenhum impedimento? Sinais de irritação apareceram no rosto do comandante diante dessa situação incômoda que de repente o atingiu.
No entanto, o homem não demonstrou nenhum sinal de medo, mesmo estando cercado por soldados fortemente armados. O convidado indesejado que veio falar com o comandante era, claro, Jin-Woo. E ele certamente tinha algo importante para dizer.
“Por favor, retirem suas tropas daqui. Este lugar é perigoso.”
Seu inglês não soava natural.
“Ele é estrangeiro?”
O comandante franziu a testa profundamente e, para incutir medo naquele convidado indesejado, gritou com toda a força dos seus pulmões.
“Você quer morrer?! Será que realmente não sabe quem está em perigo de verdade aqui?”
“O que o senhor quer dizer com isso? Obviamente é você.”
Jin-Woo sabia que seria impossível convencer aquelas pessoas apenas com palavras, então liberou uma pequena parte do seu poder. Assim que o fez, o comandante, seus ajudantes e todos os soldados que observavam Jin-Woo foram levantados no ar ao mesmo tempo.
“Eh, hã?!”
O comandante ficou perturbado e olhou rapidamente ao redor. Havia apenas uma pessoa com os dois pés firmemente plantados no chão. Além disso, os veículos, as diversas máquinas e equipamentos, e até mesmo os tanques pesados estavam flutuando a mais de um metro no ar.
Tendo testemunhado algo que não poderia acontecer cientificamente, os olhos do comandante começaram a tremer violentamente.
"M-mas, como?!"
Acreditando que já era suficiente, Jin-Woo fez com que eles voltassem a pousar no chão.
No entanto, a primeira coisa que o comandante fez ao pousar foi sacar sua arma lateral. Sua voz extremamente agitada ecoou alto pelo céu do deserto.
“O que diabos você é?!”
Jin-Woo levantou as duas mãos até os ombros para indicar claramente que não queria lutar e continuou calmamente com sua explicação.
“Em breve, inimigos com poderes semelhantes aos que você viu vão surgir daquele ponto no céu. E...”
Ele usou Mana para tirar a arma do comandante e fazê-la flutuar perto de sua cabeça.
Quando a pistola de repente começou a se mover em direção a Jin-Woo, como se por conta própria, os soldados nervosos rapidamente armaron seus fuzis, prontos para atirar. Porém, o comandante foi igualmente rápido ao levantar a mão para impedi-los de fazer qualquer coisa.
“Mantenham o fogo sob controle!”
Enquanto se esforçava para acalmar seus subordinados, Jin-Woo usou a “mão invisível” para puxar o gatilho da pistola que agora apontava para seu rosto.
Bang! Bang! Bang!!
As balas, que nem sequer conseguiram tocar o corpo de Jin-Woo, caíram sem força no chão. Os olhares dos soldados, que até então confiavam em suas armas de fogo, começaram a se encher rapidamente de espanto e pânico.
Jin-Woo também conseguia sentir seus corações congelando. Ele percorreu o local com o olhar, observando os olhares de choque e pânico deles, antes de continuar calmamente com sua explicação.
“Suas armas não funcionarão contra os inimigos que estão chegando.”
Pouco depois, seu olhar pousou no comandante, que permanecia firmemente parado em seu lugar.
“Você está disposto a assistir às mortes inúteis de seus subordinados?”
“O que devo fazer...? O que é que eu deveria fazer, então?”
“Retire suas tropas daqui o máximo possível. Serei o único a ficar aqui.”
“Só você...? Está planejando lutar contra os inimigos sozinho?”
Apenas ele, então...?
Jin-Woo não sentiu necessidade alguma de se explicar mais, então simplesmente assentiu com a cabeça.
“...”
O comandante fechou a boca e começou a avaliar suas opções, mas, de repente, puxou sua arma reserva, guardada cuidadosamente atrás da calça, e disparou vários tiros contra Jin-Woo.
Bum! Bum!! Bum!!! Bum!!!!
Cada única bala disparada pelo comandante caiu impotente no chão assim que chegava perto de Jin-Woo.
Esse homem era um “monstro”. Não, naquele momento, ele não parecia mais um simples monstro, e sim uma figura de alguma lenda mítica?
O comandante testemunhou o milagre que se repetia sem parar e, por fim, baixou sua arma. Em seguida, virou-se para seus soldados e gritou bem alto para que eles o ouvissem.
“Todos, retirem-se!! Vamos sair daqui da forma mais rápida e eficiente possível!!”
Os ajudantes transmitiram rapidamente a nova ordem do comandante para o resto das forças de defesa.
“Retirada, agora!!”
“Estamos nos retirando!”
Esse exército bem treinado afastou-se rapidamente da zona de combate potencial. Jin-Woo observou o processo de retirada deles antes de voltar seu olhar para a grande fenda que se formava rapidamente no céu.
Agora ele conseguia perceber isso.
Ele podia sentir a ganância intensa dos inimigos, que queriam devorar aquela terra.
Ele até conseguia sentir sua respiração ofegante, como se estivessem bem perto.
Pela primeira vez em algum tempo, seu Coração Negro começou a bater com força novamente, avisando-o da chegada de novos inimigos. Um sorriso apareceu no rosto de Jin-Woo enquanto ele evocava suas adagas do subespaço.
Em breve, eles vão....
Craaak
Rachar, estalar!!
A atmosfera tremeu devido a uma força de impacto intensa, e a dimensão finalmente se abriu. Com isso, gigantes que pareciam feitos de rocha pisaram nesta terra.
Eles descobriram tarde demais a pequena forma de vida sob seus pés, emitindo uma grande quantidade de hostilidade em sua direção e começando a rir com escárnio.
[O que é isso? Só você, sozinho, quer nos impedir?]
Esse sentimento... Jin-Woo fechou os olhos para desfrutar daquela calma antes da batalha e os abriu lentamente novamente.
Bang, bang, bang, bang!
Seu coração batia com força.
Finalmente, ele liberou todo o seu poder e falou.
“Parece que estou sozinho para vocês?”
Com isso, sua sombra se estendeu num piscar de olhos, cobrindo toda a vasta terra atrás dele, e o Exército das Sombras, composto por dez milhões de soldados, surgiu de uma só vez.
< Capítulo 255 > Fim.