Capítulo 835 – Múltiplas Maneiras de Vender Bebidas do Caos
Liberte aquela bruxa! · Capítulo 835
Levou algum tempo para Roland se lembrar de que a Grande Câmara de Comércio era uma organização cooperativa de suprimentos e marketing criada sob sua liderança, cujos principais membros eram comerciantes ricos de várias das grandes ilhas das Ilhas dos Fiordes.
Embora tivessem alcançado um entendimento mútuo básico no outono anterior, a quantidade de Bebidas do Caos produzida por Evelyn naquela época não era suficiente para atender aos padrões dos atacadistas. Por isso, cada Câmara de Comércio havia apenas recebido alguns amostras e ainda não as colocara oficialmente no mercado. Desta vez, eles vieram aqui para concluir o assunto inacabado.
Como toda a Região Ocidental estava se preparando para a unificação do reino, e Roland estava ocupado com o ataque no inverno iminente e o plano da missão no deserto, a Grande Câmara de Comércio parecia ter saído temporariamente de sua mente. Agora, a chegada deles poupou Roland do trabalho de procurá-los pessoalmente.
“Leve-os para a sala de estar. Eu já estarei aí”, disse Roland. Depois que Barov respondeu “sim” e se retirou, ele se virou para o Rouxinol e disse: “Chame também Tilly e Wendy, pois esta é, essencialmente, a primeira colaboração entre a União das Bruxas e a Ilha Adormecida.”
Todos os comerciantes se levantaram e fizeram reverência a Roland quando ele entrou na sala de estar.
Levou algum tempo para Roland associar os rostos aos nomes, com exceção de sua conhecida de longa data Margaret, Gammon e Marleen, da Câmara de Comércio da Baía da Lua Crescente. Os demais eram Nibelung, da Câmara de Comércio da Cidade das Águas Rasas, e Atiyer, da Câmara de Comércio da Ilha do Pôr do Sol.
Assim que se sentaram, Nibelung falou: “Sua Majestade, as amostras que coletamos da última vez causaram grande alvoroço entre os comerciantes da ilha. Todos se encantaram com elas após prová-las. Garanto que as Bebidas do Caos se tornarão a mercadoria mais bem-sucedida e popular em Ilhas dos Fiordes em toda a história, assim que começarmos a vendê-las!”
Atiyer interveio: “E não se trata apenas de uma bebida. Por exemplo, aquele suco vermelho e picante. Embora não sacie a sede, é um ótimo molho para peixe ao vapor ou churrascos. Além disso, consegue aquecê-lo e revigorar seu espírito de maneira mais eficaz do que o Aguardente Branca. Pelo menos, o Aguardente Branca faz a pessoa ficar tonta se ingerido em excesso e não é útil quando se está em um navio, enquanto esse suco não tem esses problemas!”
Margaret assentiu, sorrindo. “É verdade. Não apenas os comerciantes, mas também muitos exploradores são atraídos pelas Bebidas do Caos. Uma bebida que consegue mantê-los aquecidos sem causar efeitos colaterais pode salvá-los em caso de naufrágio.”
Atiyer continuou: “Nesse contexto, sugiro que as Bebidas do Caos sejam rotuladas com preços diferentes. Uma bebida com funções especiais como essas certamente deve ter um preço mais elevado, especialmente se fizermos algum tipo de marketing, sem mencionar que sua quantidade é limitada.”
Roland lançou-lhe um olhar de aprovação. Aparentemente, Atiyer considerava aquela bebida como uma espécie de energia drink. Era verdade que os comerciantes bem-sucedidos das Ilhas dos Fiordes eram todos bons em identificar grandes oportunidades de negócio. Eles conseguiam perceber as características distintas das diversas Bebidas do Caos apenas com alguns amostras. Sabiam que vendê-las a preços diferentes era a melhor maneira de obter lucros.
Roland bateu palmas. “Já que teve boa aceitação, podemos passar para sua venda de acordo com o contrato que assinamos anteriormente. Acho que nenhum de vocês tem objeções ao preço de pré-encomenda ou à distribuição por distrito. No entanto, será necessário pagar um depósito de 30% para retirar os pedidos. Vocês devem ter trazido reais de ouro suficientes, não é?”
Já que eles haviam chegado a um acordo sobre os termos principais com a Grande Câmara de Comércio no ano anterior, restavam poucos detalhes a serem definidos. A principal razão pela qual Roland chamou Tilly para testemunhar a assinatura foi provar que ele não havia manipulado a taxa de comissão. Como Tilly prometera permanecer na Cidade de Neverwinter e concordara em enviar as bruxas da Ilha Adormecida para a Região Ocidental, Roland considerou necessário retribuir algo para demonstrar sua sinceridade.
Com base no “contrato vantajoso” assinado durante os Meses dos Demônios, foi acordado que 30% tanto do depósito quanto dos lucros finais da venda deveriam ser destinados à Câmara Municipal, à União das Bruxas e ao Feitiço do Sono.
“Claro, Vossa Majestade,” sorriu Nibelung. “Dessa vez não há carga no meu navio, apenas reais de ouro brilhantes, além de alguns pedreiros e marinheiros.”
“Então vamos verificar as mercadorias.” Roland sorriu.
...
A fábrica de bebidas construída especialmente para Evelyn ficava do outro lado da fábrica de álcool. Na verdade, o prédio parecia mais um armazém fortemente vigiado do que uma fábrica.
O local não ocupava muito espaço. O primeiro andar tinha pouco mais de 100 metros quadrados. O prédio em si era feito de concreto e tijolos, sem janelas, com um portão de ferro sólido que servia como única entrada. Assim como uma valiosa base militar, o local era guardado pelos recrutas do Primeiro Exército.
Depois que Roland levou os comerciantes pelo pátio, para dentro do prédio e pelas escadas até o porão, eles se encontraram em uma sala espaçosa, cerca de três ou quatro vezes maior que o andar térreo. Semelhante a uma adega de vila, o porão era dividido em seções por prateleiras de madeira bem organizadas para armazenar vinhos. Para evitar perdas causadas por incêndios, não eram permitidas chamas abertas nem fios conectados ali. Eles utilizavam clarabóias para iluminar a adega. Por isso, o local ficava um pouco escuro.
Em cada prateleira de madeira havia duas fileiras de barris de madeira, mas nem todos os barris continham Bebidas do Caos. Evelyn produzia apenas um barril dessas bebidas por dia, e atualmente havia pouco mais de 100 barris no total, sem contar aqueles consumidos por Roland e distribuídos mensalmente aos membros da União das Bruxas.
Roland bateu no barril, e o líquido dentro dele emitiu um som abafado de agitação. “Podemos fornecer 20 barris de Bebidas do Caos por mês. Cada Câmara de Comércio receberá, em média, cinco barris. Desde que nossa produção permaneça a mesma, vocês receberão sempre a mesma quantidade de produtos, não importa quanto tempo leve para vendê-los. Sejam vocês a buscar seus pedidos a cada três meses ou a cada seis meses, nosso estoque não mudará. Todos os 100 barris que podem ser retirados desta vez estão aqui, nas prateleiras de madeira da primeira fileira. Assim que verificarem os produtos, enviarei homens para entregá-los na área do cais.”
“Vocês não vão nos deixar provar antes da entrega?” Gammon ficou surpreso.
“Isso não é vinho cujo sabor se torna mais suave com o passar do tempo.” Roland deu de ombros. “Algumas Bebidas do Caos realmente têm um prazo de validade relativamente longo, mas nem todas. Por isso, após a preparação, precisamos primeiro esterilizá-las e preservá-las.”
“Esterilizar?”
“Assim como os alimentos, eles também estragam. Quanto mais quente for o ambiente, mais rápido isso acontece. A esterilização pode desacelerar esse processo. Você não precisa saber como ela é feita, mas deve se lembrar de que, uma vez que abrirmos o barril de madeira, as bebidas não manterão o mesmo sabor de início.” Roland abriu as mãos. “Você pode vendê-las o mais rápido possível ou armazená-las. Contanto que as guarde em local fresco e escuro, elas devem durar pelo menos um ou dois meses.”
“Mas... como Atiyer mencionou, cada Bebida do Caos é diferente. Algumas podem ser mais populares que as outras. Se você não nos permitir prová-las primeiro, como vamos escolher as melhores?” Gammon questionou, hesitante. “Seria possível dividir a bebida de cada barril em quatro porções iguais e depois conservá-las? Dessa forma, não precisaríamos nos preocupar em decidir qual escolher.”
Roland achou que isso aumentaria em várias vezes o trabalho de Soraya e Líli. Ele certamente optaria por não fazer algo que consumisse mais recursos de produção industrial sem gerar nenhum benefício. Por isso, respondeu: “A esterilização não é algo fácil. Se dividirmos os produtos em quatro porções, cada Câmara de Comércio terá menos estoques, mas mais variedades de bebidas, o que não ajudaria nas vendas. Quanto aos sabores...” Roland fez uma pausa por um instante e depois disse: “A Região do Norte e a Região Ocidental têm necessidades completamente diferentes em relação a vinhos e bebidas. As bebidas impopulares aqui podem ser bem recebidas lá. Como comerciantes que transportam mercadorias para vários lugares o tempo todo, vocês devem saber disso muito bem.”
“Bem... hum...” Gammon ficou sem palavras por um instante.
Roland contraiu os lábios discretamente. Ele certamente não permitiria que eles provassem as bebidas, pois já havia investido muito esforço na própria distribuição dos produtos. Além disso, de acordo com o contrato, ficara acordado que as bebidas deveriam ser vendidas em barris, sem termos específicos definindo a quantidade do produto. Se houvesse algumas bebidas impopulares que eles não estivessem dispostos a comprar, a Cidade de Neverwinter sofreria perdas, já que cada barril de bebidas exigia a mesma quantidade de poder mágico de Evelyn.
“De qualquer forma, o sabor não é o que importa, mas sim seu método de venda. Você deve extrair o máximo de cada bebida e encontrar seu nicho de mercado.” Roland bateu novamente nos barris. “Bem, venham escolher as Bebidas do Caos que gostarem.”